A mente na ponta dos dedos.
O coração na ponta da língua.
É quando nunca dá para evitar
É quando nunca dá para mensurar
Uma palavra que não é palavra
É só um som por trás da raiva
Um desabafo falado não definido
Um caco de vidro que ousou ficar no caminho
E provocou o grito.
Ainda dá para juntar as melhores frases que há
Posso ter as melhores ideias
Mas ter uns dos piores pensamentos
Se propaga súbito
Entranha num susto
E corre pra longe
E não se espera que volte.
Audição
Palavras
Ah, que tanto tenho que pensar
Tanto contudo nem tanto que fazer
Tempo tardio do dia pra tentar
Trilhar o trajeto da mente que tal palavras tomam.
Tratam de trabalhar juntas
Traçam labirintos
Traem suas tradicionais escritas
Trazem variadas saídas.
E daí?
Me levarão até tua mente?
Tocarão teu coração?
Tratarão de acalmar-me?
E trazer-te?
O vidro
As sombras são incompreendidas
Reclamam que são escuras
Como se pudessem ser diferentes
Que não se vê em meio nelas
Caminhe com feixes de luz
Voltado aos olhos
E experimente sensação
De não conseguir abri-los
Pronto! Nem preciso pensar
É num vidro embaçado de todo dia
Que meus olhos veem
O que não está
Mas o que é
Um pouco de luz,
Um pouco de sombra
Eis sua cara estampada!
Expiração
Tô sem verso
Confesso
Essa rima
Fajuta
Mascara
A falta
A vergonha
De não ter
De não dizer
Pedinte de frases
Pedi à caneta
Que me ajudasse
Ao papel que me apoiasse
Feri meu orgulho
E rabisquei.
Diálogo da palavra com o paladar
Trabalhoso
Ter que pô-las todas
Organizadas, quietas,
Numa combinação
Quase sobrenatural de formas
Um tempero perfeito
Feito ao paladar
De quem provar
Mas o gosto é o mesmo
O saborear, não
Para uns o gosto revela
as combinações
Para outros é uma coisa só
Para todos começa amargo
Que vira qualquer coisa.
Enfrentamento
Louvada luta
À frente vê vitória
Todavia vitória ñ se vê
Se ñ se livra o véu
Poder ver a face em face
Do q ñ podiam ver
Livrar lamentos.
Pus um título aqui ou não
Nada
É alguma coisa
Mas ainda não é coisa
Tudo
Muitas coisas
Mas não uma coisa
Por ser tanto
É um nada coisa.
Coisa
Pode ser tudo
Não pode ser nada
Nada não é coisa
Na ciência do nada
Se nasce a coisa.
O sagrado profano
Que se propague em mim o melhor
Do que aprendi.
Que minhas palavras cavem caminhos
Na mente alheia.
Que vá procurar perguntas
Duvida das respostas.
Que compartilhe
E não aceite o dado.
Que desista de desistir
Entenda o caótico.
O abraço
É forte
Ou cordial
Não tem telas
Nem paredes
Envolve
Mas não amarra
Mas prende
Não se explica
Nem se completa
Sem alguém
O presente faz
O futuro desfaz
O passado refaz
31
Últimas horas para avançar
Um tempo prestes a terminar
Contagem regressiva da vida.
Angústia do término
Ansiedade de chegar
A inconstância da vontade.
Volta ao mesmo
À espera do novo
Fico pensando em palavras
Mas elas não querer me dizer nada
Penso na vida e elas voltam correndo para mim
Mas passam
E não sei mais o que a vida era
Quando falaram da vida para mim.